Setenta estrangeiros detidos na Imigração de Tokyo estão há 10 dias em...

Setenta estrangeiros detidos na Imigração de Tokyo estão há 10 dias em greve de fome

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Os estrangeiros ilegais detidos no Centro de Imigração (Imigration Center) de Tokyo, estão há 10 dias em greve de fome exigindo tratamento mais humano e melhoria no sistema médico da Instituição. No décimo dia, eles puderam ser ouvidos por jornalistas.

No dia 9 de maio, os detidos tentaram entregar um documento para a direção da Imigração com uma lista de reividicações, mas a carta não foi sequer  recebida. Como forma de protesto, os detentos resolveram iniciar a greve de fome no dia 10 de maio, e hoje está completando 10 dias que os estrangeiros detidos só tomam 350 ml de água por dia e ingerem pequenas quantidades de sal e açúcar.

Os detentos protestam contra o tratamento violento que recebem, que chega a causar problemas de saúde e internação. Recentemente um vietnamita perdeu a vida na Casa de Detenção. Se ele tivesse sido transferido para um hospital fora da Imigração, poderia ter sido salvo.
Muitos dos detentos são estrangeiros que pedem exílio ao Japão, outros já estão no País há mais de 30 anos. O protesto também inclui a quantia muito alta que é exigida para a liberação provisória do estrangeiro ilegal.

A PRAJ, Associção Japonesa dos Libertados Provisórios (Provisional Release Association in Japan) tenta defender o direito humano dos estrangeiros ilegais detidos pelo governo Japonês

No Centro de Imigração de Tokyo, estão detidos 576 estrangeiros ilegais, 387 dos quais são homens e 189, mulheres . A greve de fome começou com a adesão de 20 detentos. O número de adesões tem crescido e só na quinta-feira, dia 19 de maio, mais doze detentos aderiram à greve. Atualmente, os que estão em greve de fome são cerca de 70. Os detentos tem idades entre 20 a 50 anos de idade e são originários da África, Ásia e América do Sul.

O advogado Akichi Ibusuki, 55, que defende vários detentos do Centro de Imigração de Tokyo, diz que os detentos estão sob pressão física e psicológica. “Eles protestam contra o fato de não serem tratados como seres humanos”. disse.
A Imigração Japonesa por sua vez, alega que os detentos estão sendo tratados conforme a Lei e que só 20 detentos aderiram a grevve de fome.

Um iraniano de 49 anos, residente há mais de 25 anos no Japão, diz que o seu protesto é “contra a detenção compulsória e por ignorarem os nossos direitos humanos durante a detenção”.
Outro iraniano de 38 anos disse: “não cometi nenhum crime e não reconhecem os meus direitos como ser humano”. Se sentindo sem saída, tentou o suicídio no dia 14 de maio último, engolindo uma gilete. “Mesmo no hospital, eles não retiram as algemas e as cordas. Impedem que eu tenha amor próprio. Não posso voltar ao Irã, mas quero sair do Japão o mais rápido”, contou.

Só no décimo dia, a Imigração começou a checar a saúde dos estrangeiros em greve de fome, monitorando o pêso de cada um.
No ano passado, o Japão recebeu 10.901 pedidos de exílio, dos quais apenas 28 foram aceitos. O fato é um retrato de como o País é refratário a aceitação de estrangeiros em suas terras.