Japão cria maneiras de tirar as pequenas cidades da recessão

Japão cria maneiras de tirar as pequenas cidades da recessão

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Promovendo os produtos a nível nacional

Muitas cidades consideras rurais no Japão são favorecidas com a renda captada dos impostos das cidades grandes. Mas graças a uma iniciativa governamental, essa situação vem sendo mudada. Algumas regiões do interior do país vem recebendo incentivo na divulgação dos seus produtos artesanais e na produção local.
O sistema Furusato Nozei (Taxa de Origem) começou em 2008 como uma forma das pessoas canalizarem parte de seus impostos para ajudar as áreas rurais que lutam com a diminuição da população e redução da receita. Mas o sucesso do projeto não é impulsionado apenas pelo altruísmo ou pela nostalgia do campo.

CARNE E CERVEJA

A cidade de Yamanouchi em Nagano produz cerveja de alta qualidade de maneira artesanal, o cliente interessado efetua o pagamento no valor de 30,000 ienes (mais imposto) e recebe 24 garrafas de cerveja, preparada de forma não industrializada. O cliente também recebe uma carta de agradecimento da prefeitura.

Miyakonojo é conhecida nacionalmente por causa da pecuária, a prefeitura de Miyazaki,  oferece o melhor corte de carne bovina, 3 KG de filé custa 50,000 ienes, mais taxa de imposto.Yuji Ikeda (58) funcionário da prefeitura, diz que a primeira vista o valor parece salgado, mas está sendo bem aceito. Muitos clientes que nasceram nessa região hoje em dia vivem em outro lugar do Japão e sentem saudades da culinária local.

Um exemplo bem sucedido do “sistema Furusato Nozei” acontece em Hokkaido – famoso por frutos do mar, laticínios e muitos outros alimentos – é uma das cidades que mais fatura.

Setagaya em Tóquio, tem quase 900 mil moradores e atravessa a pior crise de assistência à infância no país- com mais de mil crianças em listas de espera.  Para arrecadar mais recursos e gerar receita, Setagaya, vem promovendo shows e eventos culturais, estima que o sistema arrecadará 1,6 bilhões de ienes em receita fiscal (US $ 14 milhões) até março – o suficiente para construir cinco escolas de educação infantil, disse Akihiro Sasabe, chefe da divisão de planejamento de políticas.

“Estamos bem conscientes de que uma parte da receita tributária das áreas urbanas é doada para nós”, disse Nomiyama, mas essa ação criou empregos locais e permitiu que a cidade financiasse exames odontológicos, centros infantis e outros programas comunitários. “Nós só podemos devolver o favor fazendo o que podemos fazer aqui mesmo.”

A crescente competição entre os municípios atraiu alertas da ministra dos Assuntos Internos, Sanae Takaichi. Ela disse em 2015 e novamente em 2016 que as cidades não devem solicitar receita fiscal apenas oferecendo produtos ou vouchers de compras.

Ainda assim, o sistema mais do que quadruplicou para um recorde de 165 bilhões de ienes no ano fiscal passado.