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Ex-camisa 10 do São Paulo e do Urawa Reds, Adriano exalta época em que atuou no Japão: “Momento incrível”

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Eleito melhor do mundo sub-20, meia que formou quarteto com Kaká, Luís Fabiano e França, relembra o carinho que recebia dos japoneses.

Natural de Dracena, Adriano encerrou sua carreira em 2009

Osaka – Ele já foi considerados um dos maiores meio-campistas brasileiro na época em que jogava pelo São Paulo Futebol Clube no início dos anos 2000, onde juntamente com Kaká, Luís Fabiano e França, fez parte do chamado “Quarteto Fantástico” do Morumbi. Contudo, o agora ex-jogador, Adriano Gerlin da Silva, gosta mesmo é de relembrar com carinho a época em que jogava pelo Urawa Reds, clube japonês que o fez voltar ao auge de seu futebol.

Urawa Reds

Natural de Dracena, cidade do interior de São Paulo, Adriano foi jogador do tricolor paulista entre 1996 a 1999 (retornou mais tarde em 2001). E após este período, o clube acertou o seu empréstimo ao Urawa Reds Diamonds, time da província de Saitama que disputava a primeira divisão do campeonato japonês.

Equipe do Urawa Reds de 2001

Torcida japonesa

Logo após a sua chegada ao Japão, Adriano se surpreendeu com o números de torcedores que costumavam prestigiar os treinos da equipe. Jogando ao lado de jogadores como Emerson Sheik, Shinji Ono e Masayuki Okano, Adriano sempre viu a torcida dos Reds como fundamental para o sucesso da equipe nos campeonatos.

 – Lembro muito bem de quando íamos treinar, e uma multidão enorme de torcedores ficavam do lado de fora nos esperando. E assim que os treinos se encerravam, esses torcedores faziam filas no portão do CT para receber autógrafos e tirar fotos com os jogadores, era uma loucura, tinha dias que essas filas chegavam a 400, 500 metros, e dobrando o quarteirão do complexo, mas tudo sempre muito bem organizado. Nunca havia visto nada parecido.

Torcedores fazendo fila por autógrafos

– Éramos imbatíveis jogando dentro do nosso estádio, pois a nossa torcida nos empurrava durante os 90 minutos. Lembro-me que joguei machucado em alguns jogos, porém quando ouvia a torcida gritar o meu nome incessantemente durante a maior parte do jogo, a raça tomava conta da dor e eu só pensava em jogar para ganhar. Foi algo inesquecível.

“Mar vermelho” da torcida do Urawa Reds

– Na minha carreira joguei em países como Polônia, Suíça e Colômbia, mas foi o Japão o país que mais me impressionou, tanto pelo lugar quanto pelo seu povo. Sou muito grato ao Urawa por ter me dado a oportunidade de mostrar o meu futebol. Tanto que, após a minha passagem pelo Japão, o Nelsinho Baptista, na época técnico do São Paulo, já aguardava a minha volta ao clube após o empréstimo.

Especialista em bolas paradas

Adriano era um jogador rápido e habilidoso, possuía uma ótima visão de jogo e bons passes, além disso era especialista em bolas paradas. Assim que retornou ao Morumbi, reestreou pelo clube fazendo um lindo gol contra o Cruzeiro, através de uma falta batida na intermediária do campo. Por conta do seu aproveitamento, Adriano era considerado um dos melhores batedores de falta do Brasil, em uma época em que haviam bons cobradores como Marcelinho Carioca, Petkovic e claro, o seu ex-companheiro de São Paulo, Rogério Ceni.

Decisivo

Apesar de atuar no mesmo time do goleiro-artilheiro, Adriano marcou muitos gols de faltas em sua passagem pelo São Paulo, entre eles os dois gols na final do Superpaulistão de 2002, quando ajudou o time a ser campeão em cima do Ituano.

Adriano comandou o São Paulo na final do estadual de 2002

Melhor jogador do mundo Sub-20

Quando jovem, Adriano era nome certo nas seleções de base do Brasil. Jogando pelo time sub-17, ele marcou o gol mais bonito da carreira onde, sozinho driblou 5 jogadores adversários, incluindo o goleiro, antes de empurrar para as rede. E foi jogando com a seleção Sub-20 que Adriano chegou a ser eleito o melhor jogador do mundo da categoria, ao comandar o time do Brasil no título mundial de 1993.

Adriano(último agachado), com o time campeão mundial Sub-20 em 1993

Projetos sociais, educação e retorno ao Japão

Aposentado do futebol desde 2009, Adriano comanda hoje, juntamente com o seu irmão Juliano Gerlin, um projeto social batizado de “Universidade do Futebol”, uma iniciativa voltada para atender crianças e adolescentes no interior de São Paulo, que tem como objetivo ensinar o futebol aos mais jovens. Este projeto não se restringe apenas ao esporte, ele engloba um grande foco na educação das crianças fora de campo.

– Procuramos incentivar todos os nossos participantes a tirarem boas notas na escola, inclusive acompanhamos os boletins. Nosso objetivo não é apenas revelar novos talentos para o futebol brasileiro, e sim transformar esses jovens em cidadãos de bem.

Jovens do projeto criado por Adriano no interior de São Paulo.

– Sei que isso depende de vários fatores, mas gostaria muito de poder voltar ao Japão, dessa vez levando comigo alguns jovens do projeto, em uma espécie de intercâmbio do futebol, pois sou muito grato aos japoneses por ter me acolhido e me ensinado. É um povo muito disciplinado, por conta disso gostaria que os meus alunos aprendessem tudo o que aprendi com os japoneses.