Autismo no Japão: Mães destacam a importância da inclusão escolar e se...

Autismo no Japão: Mães destacam a importância da inclusão escolar e se empenham para isso

A descoberta de um filho com TEA-Transtornos do Espectro Austista ou com esse distúrbio neurológico chamado de autismo, choca os pais no primeiro momento, na grande maioria dos casos. Depois vem o processo da aceitação do diagnóstico e como fazer para estimulá-lo a crescer e se desenvolver dentro da família, escola e sociedade. Conheça o que duas mães da comunidade fazem no seu cotidiano pelos seus filhos, principalmente para que eles tenham uma vivência sadia.

Amor e ação abrem caminhos

Jamile Sugawara, trabalha, cuida da casa e da família e encontra tempo para se dedicar aos cuidados do seu filho Daniel, de 8 anos. A família, composta pelo casal, 2 filhos e a mãe dela, vive em Toyota (Aichi),. “Quando a gente decide se dedicar, tudo se abre para favorecer. Sou uma pessoa abençoada, pois encontrei um trabalho que me dá flexibilidade e ainda ter a compreensão e apoio da chefe”, exclama Jami, como é conhecida.

Daniel foi diagnosticado aos 3 anos. Então, ela e o filho foram para terra natal, em Belém-PA, para buscar tratamento adequado, onde passaram 3 meses. “Tive um ganho imenso nesses 3 meses, aprendi muitas terapias e as pratico todos os dias com meu filho”, conta. Eles passaram por psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, neuropediatra e outros profissionais, de quem aprendeu como estimular o pequeno Daniel, sem tratá-lo de forma especial nem ter o olhar de “coitadinho”. “Aprendi a entrar no mundo dele e em momento nenhum questionei os ‘por ques’. Meu foco é amor, aprendizado e dedicação”, revela a mãe. Até hoje, faz contatos com os médicos do Brasil, faz cursos online e lê tudo sobre o assunto.

A inclusão escolar é possível

Jami aponta algo importante na educação do seu filho – a inclusão. Ela explica que visitou escolas japonesas, investigou e analisou tudo. Decidiu mantê-lo na escola brasileira, em classe normal. “Dou 100% de mim e a escola reconhece, me dando feedback de tudo sobre ele, através do caderno de recados a filmes que a professora grava e me envia. Acompanho tudo e sou muito grata à escola que o acolheu”, pontua.
A mãe trabalha o lado interno e externo do filho. Em casa, muda tudo de lugar uma vez por semana, desde as gavetas das roupas aos brinquedos de madeira, para estimular Daniel a ver que tudo está em movimento. Sai para caminhar e explica sobre o farol de pedestres, ele faz natação, adora ir à livraria e ler. A inclusão digital existe, com limites, todos os dias 20 minutos cravados no timer. “Não facilito nada pra ele e trabalho muito a questão da autonomia. Não sou eterna e, no futuro, ele será independente e escolherá sua profissão. Para isso, nós da família não medimos esforços, inclusive financeiramente falando. Já verifiquei as escolas internacionais, pois ele gosta do inglês, sua segunda língua, e está aprendendo japonês. Terminando o oitavo ano, ele irá para uma dessas com ensino bilíngue”, explica. Sua sala virou um parque educativo e Daniel tem sessões agendadas com todos os profissionais que possam melhorar a vida como fisioterapeuta e psicólogo, entre outros. Além disso, faz as tarefas escolares junto com seu filho, cada um no seu caderno, para incentivá-lo. E assim, aprende junto, conta.

Participante ativa do grupo AAVP-Associação Autismo Vencendo Preconceito, troca ideias e também ajuda outras mães a como agir com as crianças e espalha otimismo, fé, ação e estímulo. A recomendação que segue à risca, aprendida no Brasil pelos médicos é: “Tiro um dia de folga pra mim. É meu momento relax”, explica. Assim, ela se renova, nem que seja indo a um café sozinha ou ao cinema, para recomeçar a jornada do amor e da dedicação.

Para Jamile, Daniel veio para ensinar: “Me tornei mais humana e descobri que sou capaz. Tornei-me mais forte, até trouxe a minha mãe do Brasil que tem problema de saúde e vive na cadeira de rodas pra eu cuidar. Afinal, ela cuidou de mim quando era pequena, me levando para passear no carrinho. Agora é a minha vez de fazer isso.” Sua vida é pautada no amor e ação, com sorriso constante.

Blog para interagir com outras mães

Juliana Hashimoto Peischl, reside em Joso (Ibaraki) e é autora do Blog da Juh, onde relata a evolução do filho com autismo, hoje com 6 anos. A descoberta aconteceu no Japão, através dos professores da escola “que sugeriram com muita delicadeza realizar exames quando ele tinha 3 anos e meio”, conta. E o diagnóstico veio aos 4 anos, mas tanto ela quanto a mãe já tinham suspeita, apesar de pensar que fosse só atraso na fala. Mas o marido e ela aceitaram bem e partiram para o tratamento dos sintomas e acompanhamento do seu comportamento, conta.
Receberam a carteirinha da prefeitura e deram o início ao tratamento, quando ocorreu a enchente, onde a família foi resgatada de dentro do carro que ficou boiando. “Foi uma tragédia e ficamos sem nada, tendo que começar do zero”, relembra. Enquanto o marido providenciava uma outra residência, em outro bairro e trabalhava para a reconstrução da vida da família, ela e os 2 filhos foram passar 3 meses no Brasil. De volta ao Japão, não puderam continuar no mesmo centro de saúde onde ele recebia atendimento e procuraram outro. “Nossa vida é aqui, por isso, estamos reconstruindo tudo de novo”, conta.

shutterstock_58652809O último exame de QI do filho ultrapassou o máximo da escala de quem tem TEA, por isso conseguiu a inclusão escolar e ele ingressou no primeiro ano do shogakko. Com a compreensão da equipe da escola, ele frequenta as salas normal, especial e para estrangeiros. Assim, está aprendendo o japonês, língua que não demonstrava interesse, apesar de ter estudado desde a tenra idade no pré-escolar do Japão. Agora, ele está desenvolvendo também o inglês, língua que demonstra simpatia.

“Criei o blog porque quando descobri só tinha um na comunidade, o qual foi interrompido, então achei que pudesse contribuir com meus depoimentos. No começo tinha vergonha, tanto que demorei para colocá-lo online”, confessa. Lá ela conta o progresso do filho e foi a forma que encontrou de registrar o processo desde a descoberta. Agora o blog tem mais conteúdo e foi através dele que ela saiu do isolamento, passando a interagir com outras mães da comunidade. https://juhdescomplicando.blogspot.jp/

Onde encontrar apoio e interagir com os pais das crianças com TEA

Página web da AAVP-Associação Autismo Vencendo Preconceito: http://aavp.jp/

Página do Facebook da AAVP: https://www.facebook.com/Associa%C3%A7%C3%A3o-Autismo-Vencendo-Preconceito-AAVP-276212382528853/?fref=photo

Grupo no Facebook Autismo no Japão: https://www.facebook.com/groups/1572745996289720/

Página Autismo no Japão (Blog da Juh): https://www.facebook.com/Autismo-no-Jap%C3%A3o-789288721171083/

Grupo Autismo no Japão: https://www.facebook.com/groups/241594216207997/?ref=br_rs&qsefr=1

Outro grupo Autismo no Japão: https://www.facebook.com/groups/392285444132083/

Mais informações sobre o autismo (site do Brasil): http://autismoerealidade.org/informe-se/sobre-o-autismo/o-que-e-autismo/