ABORTO: Entre a vinda do bebê ou a interrupção

ABORTO: Entre a vinda do bebê ou a interrupção

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Um dos temas mais polêmicos que se arrastam por gerações, sem sombra de dúvidas é o aborto. Esse assunto gera opiniões distintas mesmo entre os profissionais da área de
saúde.

O anúncio da gravidez pode ser motivo de grande alegria ou de tristeza. Depende da situação que a mulher está vivenciando o momento – se está feliz ou infeliz na relação com o parceiro. Ou, se a gravidez não foi fruto de um ato abusivo como o estupro.

No Japão, quando a gestante é muito jovem, teen, há médicos que perguntam se quer ou não dar continuidade à gravidez. Isso pode chocar as mulheres da comunidade brasileira. ”Tinha 14 anos quando soube que estava grávida e teria o bebê aos 15. O médico logo me perguntou se queria mesmo continuar. Foi um susto ouvir isso.”, relembra Cíntia, cuja filha hoje já é maior de idade.

Ela preferiu ser mãe, em concordância com o namorado e com os pais dela. Assim, optou pelo pré-natal e deu sequência a todos os procedimentos para o acompanhamento da gestação e a escolha do hospital onde fez o parto.

Entretanto, ela poderia ter escolhido pela interrupção da gravidez, o que no Japão é permitida pela Lei de Proteção Materna, em 2 casos:

Se for por motivo de saúde da mãe, ou por razões econômicas;
No caso de gravidez por estupro.

E essa interrupção só poderá ser realizada por um médico, para a mulher com até 22 semanas (21 semanas e 6 dias) de gestação. Normalmente, segundo estatísticas, quando a mulher percebe que a menstruação está atrasada, já está na 4a. ou 7a. semana de gestação.

A interrupção por cirurgia traz uma variedade de efeitos sobre o corpo e a mente da mulher. O médico explicará os riscos para o corpo, como desequilíbrio dos hormônios,
anomalias na menstruação, além de riscos nos órgãos reprodutores. No aspecto psicológico é comum que a mulher sinta remorso ou sentimento de culpa, o que pode se transformar em fatores de estresse.

Muitas vezes, o parceiro exige que se faça o aborto quando a mulher não tem o mesmo sentimento e se sente dividida, e até pode passar a não confiar mais no sexo oposto.

Por isso, a escolha tem que ser bem consciente para evitar esses riscos. Mesmo que a escolha seja inevitável, é bom saber sobre como é e quais os riscos do aborto por
cirurgia. Além disso, quando se repete o aborto, poderá também afetar uma gravidez futura. O mais importante seria ter conhecimentos sobre a contracepção. A JFPA-Japan Family Planning Association (Associação de Planejamento Familiar do Japão), entidade sem fins lucrativos que zela pela saúde da mulher há 60 anos, faz um alerta. “Para realizar a cirurgia do aborto, seja por qual motivo for, escolha uma instituição hospitalar adequada, de acordo com a lei. Para isso, verifique se a clínica ou o hospital tem a designação [指 定医]. E também, vale lembrar que esse tipo de procedimento não tem cobertura do seguro de saúde. O valor a ser desembolsado está na faixa dos 100 mil ienes, se estiver bem no começo da gestação. Em gestação mais avançada o preço pode ser diferente”. De acordo com a instituição que promove cuidados psicológicos das mulheres que optaram pela interrupção, ou tiveram aborto espontâneo ou nati morto, a faixa de preço para a cirurgia na gestação mais avançada varia de 200 a 300 mil ienes,  enquanto na fase inicial custaria de 80 a 150 mil ienes.

A instituição hospitalar solicitará autorização por escrito e com o carimbo pessoal da gestante e do parceiro. Caso não consiga obter a assinatura dele, pode ser que seja possível realizar o aborto, caso a mulher seja de maior. No caso de menor, será necessária a autorização do responsável (pai, mãe ou quem tem a guarda).

TERMOS USADOS EM JAPONÊS:

妊娠 (ninshin): gravidez;
胎児 (taiji): feto;
中絶 (chuzetsu) ou 人工妊娠中
絶 (jinko ninshin chuzetsu): interrupção
da gestação através de cirurgia;
流産 (ryuzan): aborto espontâneo;
死産 (shizan): morte do feto.

PAIS TEENS

Muitos adolescentes brasileiros residentes no Japão dizem não ter nenhum tipo de orientação sexual por parte dos pais. Rodrigo Iwamura, 18 anos, residente em Kawagoe (Saitama), foi pai aos 15. O filho, fruto de um relacionamento com uma japonesa do colégio. Ele conta que passava muito tempo sozinho em casa e um dia convidou a namorada para estudar em sua residência. Ele lembra que foi nesse dia que aconteceu a primeira relação sexual entre os dois. Rodrigo já tinha ouvido falar de preservativos mas não sabia onde comprar e nem como usar e nem como usar. Mesmo assim, assumiu o risco e a relação continuou durante dois meses até que um dia foi surpreendido com a visita dos pais da garota. “Naquele momento não entendi o que estava acontecendo. Minha namorada só chorava e o pai dela me olhava com ódio. A mãe se manteve
calma e pediu para conversar com meus pais e naquele momento tudo
foi esclarecido.” ”Senti faltar o chão, meu coraçãoacelerou. Os pais da minha namorada
queriam que ela queriam que ela abortasse. Segundo ele “não tínhamos
maturidade para assumir tamanha responsabilidade”. Os meus pais foram contra o aborto desde o início e eu estava confuso não sabia o que queria.”
”Meses depois nosso filho nasceu, meus pais assumiram o compromisso de ajudar com as despesas tanto do parto como da criação do neto até que eu começasse a trabalhar.“

“Não me casei e logo que meufilho nasceu nos separamos. Mesmo assim continuo sendo
um grande amigo da mãe do meu filho. Amo meu garoto, mas confesso que deveria ter tido juízo e responsabilidade. Hoje a vida de uma criança inocente depende de mim e cada vez que olho para ele tenho certeza que fiz a coisa certa ao não concordar com o aborto.

A PREVENÇÃO

Para evitar uma gravidez indesejada o casal deve se prevenir. Além da camisinha, DIU, adesivo, pílula e ligadura de trompas, há outros métodos utilizados pelas mulheres, que
são:

A tabelinha;
A pílula do dia seguinte;
O método do muco cervical.

TABELINHA – O QUE É?

A tabelinha, também conhecida por método rítmico, é baseada em um cálculo realizado a partir de um calendário, para saber o início e o fim do período fértil.

Desse modo, pode-se prevenir e evitar relações nos períodos em que há maior chance de gravidez. Esse método contraceptivo tem maior chance de funcionar para mulheres com ciclos regulares, mas ainda assim é pouco eficaz para prevenir a gravidez.
Teoricamente, a mulher é mais fértil no meio do seu ciclo. Ou seja, nos ciclos mais comuns de 28 a 30 dias, a fertilidade máxima seria entre o 12° e o 15º dia, contando como primeiro dia o início da menstruação. Mas isso é válido para quem quer engravidar, e não para quem quer prevenir a gravidez.

Uma regra fácil para tabelinha funcionar apropriadamente é a seguinte:
Anote em um calendário o primeiro dia da menstruação.
Marque em azul os dias em que você tem menos chances de engravidar:
entre o 1º dia e o 9º dia da menstruação.

Lembre-se: conte sempre a partir do 1º dia da menstruação.

Marque em vermelho os dias em que você provavelmente estará mais
fértil: do 10º ao 19º.

Do 20º até a próxima menstruação, marque novamente em azul.

PARA O FUNCIONAMENTO
DA TABELINHA, LEMBRE-SE
DESSAS DICAS:

Não confie na memória.
Nunca conte do último dia da menstruação. Isso não tem nenhum valor.
Há casos de mulheres que engravidam em qualquer época do ciclo, até mesmo durante a menstruação.

PÍLULA DO DIA SEGUINTE

No Japão a pílula do dia seguinte é regulada e só é concedida em clínicas de ginecologia. A pílula é uma anticoncepção de emergência. Vem em forma de um ou dois comprimidos com grande quantidade de hormônios (levonorgestrel), e tem como função evitar a ovulação e criar um ambiente desfavorável aos espermatozoides. Não deve ser usada de maneira habitual para evitar problemas com o ciclo menstrual.

O primeiro comprimido deve ser tomado em até 72 horas depois da relação sexual desprotegida, e caso haja um segundo, 12 horas após o primeiro. Seu uso deve ser apenas em caso de emergência..

Se ingerido o primeiro comprido até 24 horas após a relação, a pílula tem um índice de 5% de falha. Entre 25 e 48 horas, o índice de falha aumenta para 15% e entre 49 e 72 horas, o índice chega a 42% de falhas.

MÉTODO DO MUCO CERVICAL

O método do muco cervical, também conhecido como método de Billings, baseia-se na observação da secreção de muco por meio da vagina.

Após o período de menstruação, a vagina fica seca. Ao perceber a presença do muco cervical, que pode indicar fertilidade, a mulher deve evitar relações durante esse período.

A mulher pode observar o aumento progressivo do muco, que atinge o seu pico durante a ovulação, no qual fica grudento. Após o desaparecimento do muco, a mulher deve permanecer em abstinência por três dias.

É um método contraceptivo pouco eficiente, pois qualquer alteração ocasionada por alguma doença pode alterar a produção do muco e sua consistência. Não é recomendado para mulheres que não possuem um parceiro fixo.